Twitter: algoritmo detecta sinais de depressão na rede social e indica ajuda

Da Redação
22 de Março de 2019


Crédito: Photo on Visual hunt
Twitter: algoritmo detecta sinais de depressão na rede social e indica ajuda

Kurt Cobain, Ian Curtis, Nick Drake, Torquato Neto, Chris Cornell, Keith Flint, Champignon. Esses músicos têm em comum a depressão e o suicídio. No ano passado, 1 milhão de pessoas no globo tiraram a própria vida – uma morte a cada 40 segundos.

Esses dados mostram que suicídio causa mais vítimas do que as guerras, homicídios e conflitos civis – todos eles somados. Mais preocupante é o fato de que para cada suicídio, 20 pessoas já tentaram fazer o mesmo, segundo dados do estudo Preventing Suicide: A Global Imperative da Organização Mundial da Saúde.

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O cenário nacional não é diferente. Todos os dias, 32 brasileiros tiram a própria vida. Em 2018, foram 11 mil vidas. Segundo o Ministério da Saúde, os números também revelam que o suicídio aumentou 20% nos últimos cinco anos entre jovens de 15 a 19 anos. Essa já é a quarta causa mais frequente de morte entre jovens no País.

Estudos de especialistas em saúde mental* indicam que pessoas em depressão usam recorrentemente um determinado grupo de palavras, como uma espécie de ‘linguagem da depressão’ para indicar, mesmo em estágios iniciais, a ocorrência da doença. Naturalmente, esses sinais também se fazem presentes no comportamento das pessoas nas redes sociais.

Baseado nesses dados, a agência Africa criou o Algoritmo da Vida, projeto assinado pela Rolling Stone Brasil. O sistema funciona da seguinte maneira: foi desenvolvido um algoritmo capaz de identificar uma enorme variedade de palavras, expressões e frases que podem indicar sintomas de depressão nas postagens públicas dos usuários no Twitter.

Após essa primeira fase de identificação da sequência de palavras e expressões, é realizada uma checagem cuidadosa por uma equipe treinada, para considerar contexto, ironias e recorrência de termos e periodicidade. Assista vídeo com mais detalhes sobre o projeto.

Após isso, quando a ferramenta confirmar o potencial de usuário filtrado pelo algoritmo, um perfil criado especificamente para a ação – e administrado por um time capacitado – entra em contato por meio de mensagem privada e indica o telefone 188. Trata-se do número do Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade que oferece apoio emocional e referência nacional no atendimento a pessoas com depressão.

“O desejo de tirar a própria vida é sempre ambíguo. A pessoa não sente que a vida vale a pena, mas gostaria de encontrar pelo menos um fio de esperança que a ajudasse a seguir em frente”, conta o psiquiatra Daniel Barros, professor da Faculdade de Medicina da USP e consultor do projeto.

“Muitos músicos pediram ajuda nas suas músicas. Veja o caso de Kurt Cobain ou de Chester Bennington, do Linkin Park, por exemplo”, diz Pedro Antunes, editor-chefe da Rolling Stone Brasil. “Vidas chegaram ao fim de forma precoce por conta da depressão, basta lembrar de Chris Cornell. Tudo o que pudermos fazer para diminuir esse número precisa ser nossa prioridade. É uma responsabilidade social que devemos ter. Cada vida salva é uma vitória”, completa.

De acordo com Rodrigo Cassino, da produtora BIZSYS, responsável por desenvolver o sistema que identifica os tweets relacionados com depressão, a plataforma busca em postagens públicas termos e linguagens dentro de determinados padrões.

“Ela pode ser aprimorada, aprendendo através do contato com novos conteúdos” explica Cassino. “Com tantos recursos à disposição e com tantas pessoas clamando por socorro nas entrelinhas das redes sociais o desenvolvimento do ‘Algoritmo da Vida’ humaniza a tecnologia e nos passa um sentimento de dever cumprido, de ajuda ao próximo.”

O Algoritmo da Vida está em operação desde fevereiro e detectou quase 300 mil menções que potencialmente utilizam a linguagem da depressão. O perfil já entrou em contato com esses usuários e indicou a melhor maneira de ajudá-los a encontrarem apoio profissional.

Um deles, referência sobre o tema, é o CVV. Para saber mais sobre a entidade, clique aqui. Caso queira conversar, disque 188 de qualquer telefone (ligação gratuita).

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