A evolução do tratamento dos cálculos renais é uma história marcada por avanços tecnológicos significativos, que permitiram procedimentos cada vez menos invasivos, mais eficazes e com recuperação mais rápida para os pacientes. Neste artigo, vamos explorar essa trajetória, desde a cirurgia aberta tradicional até as técnicas mais modernas como a ECIRS (cirurgia combinada) e o uso de lasers de última geração, incluindo o HoLEP, no tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB).
Durante décadas, a cirurgia aberta foi o único recurso para tratar cálculos renais de grande volume ou de localização complexa. Era um procedimento agressivo, com incisões amplas, maior tempo de internação e considerável risco de complicações. Embora eficaz, a morbidade associada era significativa.
Na década de 1980, surgiu a litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO ou ESWL), um divisor de águas no tratamento. A LECO permitiu fragmentar cálculos renais sem a necessidade de incisões, usando ondas de choque aplicadas externamente. Apesar de revolucionária, sua eficácia variava de acordo com o tamanho, dureza e localização do cálculo. Muitos pacientes necessitavam de múltiplas sessões, e os fragmentos podiam não ser eliminados completamente.
Com o avanço da endourologia, surgiram as cirurgias percutâneas e a ureterorrenolitotripsia flexível. A nefrolitotomia percutânea (PCNL) passou a ser utilizada para cálculos renais volumosos, com acesso direto ao rim por meio de uma pequena punção lombar. Já a ureterorrenolitotripsia flexível ganhou espaço como abordagem retrógrada minimamente invasiva, especialmente com a introdução do laser Holmio.
O uso do laser revolucionou a fragmentação de cálculos. O laser de holmio (Ho:YAG) tornou-se padrão ouro por sua versatilidade, segurança e eficiência na fragmentação de diversos tipos de cálculo. Mais recentemente, surgiu o laser Thulium, com uma frequência mais alta e fragmentação mais fina, facilitando a eliminação de resíduos. Embora promissor, o Thulium ainda está em processo de consolidação, e na prática clínica muitos serviços seguem utilizando o holmio, sobretudo pela ampla cobertura nos planos de saúde.
A integração entre diagnóstico por imagem de alta resolução, softwares de planejamento cirúrgico e equipamentos cada vez mais precisos também tem contribuído para a melhoria dos resultados no tratamento dos cálculos renais. Exames como a tomografia computadorizada de baixa dose permitem não apenas detectar cálculos com maior acurácia, mas também planejar a via de acesso mais adequada para cada caso, reduzindo riscos e otimizando o tempo cirúrgico.
Outro avanço importante está na utilização da inteligência artificial e da robótica no suporte à decisão clínica e na execução de procedimentos delicados. Embora ainda em fase de expansão na urologia brasileira, essas tecnologias já demonstram potencial para aumentar a precisão, reduzir complicações e acelerar a recuperação dos pacientes. Com esses recursos, o futuro do tratamento dos cálculos renais e da HPB tende a ser cada vez mais eficiente, seguro e alinhado às necessidades individuais de cada pessoa.
Diante de casos mais complexos, com cálculos volumosos ou localizados em várias partes do rim, surgiu a técnica ECIRS – Cirurgia Endoscópica Combinada Intrarrenal. Essa abordagem combina simultaneamente a via retrógrada (com ureteroscópio flexível) e a via percutânea, otimizando o acesso ao cálculo, reduzindo o tempo cirúrgico e aumentando a taxa de resolução em uma única sessão. A ECIRS representa o ápice da cirurgia minimamente invasiva para cálculo renal.
Além dos cálculos, o avanço da tecnologia também beneficiou o tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB). O HoLEP (Holmium Laser Enucleation of the Prostate) é atualmente uma das técnicas mais modernas, com remoção anatômica completa do adenoma prostático por via endoscópica. Essa técnica oferece menos sangramento, alta precoce e menores taxas de reintervenção a longo prazo.
Dr. Pedro Bastos, urologista em Juiz de Fora (CRM-MG 48089 | RQE 31390), possui formação em cirurgia minimamente invasiva e atua com técnicas modernas no tratamento dos cálculos renais, incluindo a ECIRS, além do HoLEP no tratamento da hiperplasia prostática. Sua abordagem combina precisão técnica, individualização de condutas e acompanhamento próximo em todas as fases do cuidado.
À medida que novas tecnologias continuam a emergir, é essencial que os profissionais de saúde estejam atualizados para oferecer o melhor cuidado possível. A tendência é de procedimentos cada vez mais personalizados, guiados por evidências e centrados no paciente.