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Como o TDAH pode impactar o aprendizado de crianças e adolescentes

Da Redação
23 de Junho de 2021


Crédito: Divulgação/Priscila Dossi
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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é classificado como um distúrbio do neurodesenvolvimento. Essa síndrome de desatenção, hiperatividade e impulsividade são condições neurológicas que aparecem de maneira precoce na infância, em geral antes da idade escolar. No entanto, ela vai impactar toda a fase adulta caso não seja tratada a tempo.

O TDAH pode ser dividido em três tipos. Em um contexto, há a predominância da hiperatividade ou impulsividade. No outro, a desatenção fica em evidência. Por fim, há quem apresente uma mistura das duas condições. “De forma geral, todos vão afetar, como o próprio nome diz, o funcionamento do cérebro. Isso significa que linguagem, memória, interação social e a própria percepção estão envolvidos”, explica Priscila Dossi, médica psiquiatra especializada em infância e adolescência.

Considerando que boa parte dos casos de TDAH vai continuar na vida adulta, o leque de sintomas e suas consequências podem aumentar. Pessoas com esse transtorno podem apresentar impaciência, humor instável, instabilidade nos relacionamentos e na vida profissional, além da incapacidade de finalizar tarefas, violações de trânsito e uso abusivo de álcool e drogas, podendo se estender até ao envolvimento com a criminalidade.

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O perigo das telas

Fora todos os sintomas que pessoas com TDAH devem lidar, hoje, o uso excessivo telas pode impactar mais o desenvolvimento de crianças e adolescentes com o transtorno. E pior: o hábito se agravou durante a pandemia de covid-19. “Esse comportamento pode levar ao aumento da agressividade, da irritabilidade e ao acesso a conteúdos inadequados para a idade, se não houver uma rígida supervisão dos pais ou cuidadores”, alerta Priscila.

Além do convívio de crianças e adolescentes com TV, computador e celular dentro de casa nos momentos de ócio e lazer, o isolamento por decorrência da quarentena acabou obrigando as pessoas a se afastarem do convívio social. Assim, as atividades e interações escolares foram trocados por mais horas de tela.

“A outra perspectiva do uso excessivo das telas aponta para um agravamento dos quadros de TDAH, intensificando sintomas como déficit de atenção e hiperatividade, principalmente envolvendo as atividades escolares. Isso significa que a criança ou o adolescente terá uma dificuldade imensa em acompanhar as aulas online, por ser obrigada a ficar horas diante de uma tela com intervalos curtos entre as aulas”, diz Priscila.

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A volta às aulas

Priscila chama atenção para o retorno às aulas. Para ela, crianças e adolescentes devem ser orientados e apoiados na readaptação do ensino presencial, com o suporte de pais e familiares e também dos agentes da educação.

“Não se pode descartar que as crianças e os adolescentes foram afetados pela pandemia e todo o seu desdobramento de várias maneiras, desde o aumento de quadros de ansiedade e depressão, piora dos quadros de TDAH e ainda o aumento de casos de violência doméstica”, ressalta a especialista. “É o momento de reavaliarmos toda essa experiência e os impactos negativos sobre as nossas vidas e a vida de nossos filhos e, se necessário, buscar ajuda profissional”, conclui.

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