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Combate à fome se faz com políticas públicas, não com sobras de comida

Da Redação
23 de Junho de 2021


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A ActionAid, organização que atua há mais de 20 anos no combate à fome e à injustiça social no Brasil, repudia as recentes declarações públicas do ministro da Economia, Paulo Guedes, e da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, sobre direcionamento de sobras de comida às populações vulneráveis como medida de combate à fome. Além de evidenciarem visões perversas e superficiais em relação à pobreza, tais falas tiram do centro do debate as questões de fato essenciais quando o assunto é a grave escalada da insegurança alimentar no País.

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Panorama da fome

“Não é preciso reinventar a roda. No Brasil, há experiências de combate à fome comprovadas e reconhecidas internacionalmente. O que vimos nos últimos anos foi o desmonte dessas políticas públicas. Não se deve desprezar a importância de buscar soluções para o desperdício e as sobras de comida. Inclusive, já existem políticas relacionadas a isso. O que se espera de um governo é que implemente e coordene planos robustos, não que se questione comportamentos de consumidores”, avalia o economista Francisco Menezes, analista de Políticas e Programas da ActionAid no Brasil.

Dados divulgados pela Rede Penssan em parceria com a ActionAid apontam que mais de 19 milhões de pessoas vivenciaram insegurança alimentar grave nos últimos três meses de 2020, mas o cenário já vinha sendo desenhado desde 2018. Portanto, é fundamental reafirmar que a fome no País está ligada a pelo menos cinco aspectos:

  1. Crescimento da extrema pobreza;
  2. Desmonte das políticas públicas de segurança alimentar;
  3. Demolição da estrutura institucional;
  4. Destruição dos meios de subsistência;
  5. Alta nos preços dos alimentos básicos aliada à redução do auxílio emergencial.

Não é coerente chamar atenção para a questão do desperdício e das sobras de comida como solução enquanto continuam sendo enfraquecidas políticas públicas de segurança alimentar, como o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa Cisternas e o Programa de Restaurantes Populares. Isso sem contar a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA).

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ActionAid no combate à fome

Além do trabalho de longo prazo para fortalecimento da segurança alimentar no País, a ActionAid vem respondendo aos impactos sociais da covid-19 em conjunto com organizações parceiras que trabalham para alcançar as comunidades mais vulneráveis.

Nos oito primeiros meses da pandemia, a organização apoiou a distribuição de mais de 57 mil cestas de alimentos em 12 estados. Grande parte delas foram provenientes da agricultura familiar, com itens seguros e saudáveis, comprados diretamente dos produtores. Para contribuir com o trabalho da ActionAid, acesse o site e saiba como doar.

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