Setembro Amarelo: mitos e verdades sobre suicídio

Beatriz Ceschim
13 de Setembro de 2019


Crédito: Sergey Shmidt on Unsplash

Neste mês, é realizada a campanha de prevenção ao suicídio, conhecida como Setembro Amarelo. Como esse assunto ainda é tabu, a iniciativa visa expor o máximo de informações sobre o tema, com palestras e ações ao longo desse período.

Para ajudar na conscientização e educação da população sobre o tópico, o Busca Voluntária levantou algumas das questões mais comuns a respeito do suicídio e entrou em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), para saber se se tratavam de verdade ou mito. A seguir, você confere as respostas do porta-voz da entidade, Carlos Correia.

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“Apenas pessoas com transtornos mentais têm comportamento suicida”
O comportamento suicida é influenciado por um conjunto de fatores. Segundo especialistas da área da saúde mental, grande parte das pessoas que tiraram a vida sofriam de um transtorno mental. Porém, não quer dizer que uma pessoa que tem um distúrbio mental vá cometer suicídio.

“Quem fala sobre suicídio não tem a intenção de cometê-lo”
As pessoas que falam sobre se matar estão mandando sinais diretos ou indiretos de que têm a intenção de cometer o ato. Nessa situação, nenhum dos alertas pode ser banalizado.

Para entender o que ela quis dizer com aquilo, uma ótima ideia é promover o acolhimento dessa pessoa, com uma conversa compreensiva, num ambiente favorável, em que ela possa conversar, sinceramente, sobre o que está sentindo. Se o caso for muito grave, a saída é oferecer ajuda médica.

No fim, pode ser constatado que era uma chantagem. Entretanto, se a pessoa morrer, porque alguém desacreditou dos sinais, o indivíduo que desvalorizou aquelas palavras pode passar por um sofrimento muito grande.

“A maioria das pessoas dá sinais antes de cometer um suicídio”
Na maior parte das vezes se percebem alertas, o que não quer dizer que todos possam emitir. Mas esses sinais podem ser quase imperceptíveis. Os avisos podem surgir por meio de uma poesia melancólica ou de uma postagem nas redes sociais.

Como esses indícios costumam ser muito sutis, é fundamental que as pessoas procurem estar muito atentas aos seus entes queridos e amigos. É muito importante que os indivíduos procurem informações para entender melhor esses sinais e aprender a lidar com eles.

“Depois de uma tentativa, se a pessoa tem uma melhora rápida, quer dizer que o pensamento suicida já passou”
Após uma tentativa de suicídio, a pessoa está no topo da lista de risco. Os indivíduos precisam passar por um acompanhamento médico, só assim eles poderão se tratar e conseguir ter uma vida normal. Como no começo a situação é muito delicada, é necessário ter muito cuidado depois do acontecimento, porque a probabilidade de se repetir é enorme.

“Uma pessoa que tentou se matar uma vez, dificilmente irá tentar novamente”
No primeiro momento, a probabilidade da pessoa tentar de novo é muito alta. Mas, depois que tudo for superado, ela pode voltar a ter uma melhor qualidade de vida.

“Quando a pessoa já deu algum indício de pensamento suicida, é melhor conversar com ela”
O ideal é sempre falar com ela, mas não pode ser de qualquer jeito. Precisa ser uma conversa compreensiva, respeitosa, num lugar reservado. É um diálogo que não pode haver minimização daquilo que a pessoa está dizendo.

O essencial é saber o que está acontecendo com a pessoa e por que ela está sentindo esse desejo de terminar sua vida. Ao abrir esse diálogo, o indivíduo vai perceber que alguém se importa com ela. Dessa forma, pode se sentir mais confortável para falar sobre o assunto.

“O suicídio é uma decisão individual”
A pessoa tem toda a liberdade de decidir o que é melhor a ela. A grande questão é que muitas vezes, por estar envolvida em um grande problema que causa muito sofrimento e já ter buscado diversas soluções, ela não encontra uma saída. Ela entra em um momento de grande fragilidade e pode perder a noção sobre qual decisão tomar.

Pode ser que ela tenha tentado se comunicar com alguém para dizer o que está acontecendo e não deu certo. Então, ela começa a se isolar e ficar num momento de extrema solidão, e isso impede que ela enxergue outra solução que não seja o suicídio.

“O suicídio só impacta a pessoa que tirou a própria vida”
Amigos e familiares – afetados por uma morte por suicídio – são considerados sobreviventes e passam a fazer parte de um grupo de risco. Eles podem repetir o ato, por se sentirem culpados por não terem dado atenção.

“Depressão e abuso de drogas são as maiores causas do suicídio”
A depressão e o abuso de drogas podem aumentar a probabilidade de alguém se matar, mas essa não é uma condição necessária. Geralmente, o suicídio está associado a algum transtorno. Por isso, se os distúrbios forem descobertos e tratados, a pessoa pode voltar a ter uma melhor qualidade de vida.

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