Outubro Rosa: autoexame e mamografia são aliados do diagnóstico precoce de câncer de mama

Marcella Blass
22 de Outubro de 2019


Crédito: Photo by David Samaniego on Unsplash

Ao longo de todo o mês acontece o Outubro Rosa, um movimento internacional de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Além de disseminar informação pertinente, a campanha dá luz à importância de as mulheres estarem em dia com os exames preventivos e de conhecerem o próprio corpo para identificar sinais de alerta.

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Autoexame

Um dos passos caseiros para a prevenção do câncer de mama é o autoexame. A prática, completamente não invasiva, deve ser iniciada logo na adolescência, já no início do desenvolvimento das mamas. A recomendação é que ele seja feito todos os meses, após o início do ciclo menstrual.

“Preferencialmente, o autoexame deve ser feito na frente do espelho, para que a mulher tenha visão completa da mama. Mas também pode ser feito no banho”, diz Emanuella Poyer, oncologista clínica do Centro de Oncologia do Paraná. A especialista explica como se deve fazê-lo: a mulher deve levantar um dos braços e, com a mão oposta, apalpar a mama e a axila.

Rogério Fenile, mastologista e especialista em cirurgia de reconstrução mamária, diz que, durante o exame, a mulher deve procurar por mudanças na pele, como vermelhidão e espessamento, no posicionamento e volume dos seios, e também por possíveis afundamentos nas mamas. “Ela deve ter atenção ainda às mudanças nos mamilos e às secreções mamilares que, quando sanguinolentas ou com a dita ‘cor de água de rocha’, seriam suspeitas e passíveis de investigação mais acurada.

Diante de tantos detalhes a se observar, Mariana Laloni, oncologista coordenadora do Centro do Oncologia do Hospital 9 Julho (SP), destaca a importância de incentivar a mulher a prestar atenção ao próprio corpo. “Assim, ela vai ser capaz de identificar sinais e sintomas, alterações na mama e qualquer nodulação durante o autoexame.”

Exames complementares

Apesar de o autoexame ser um passo importante para a prevenção do câncer de mama, ele não é o bastante, pois não é capaz de identificar tumores em estágio inicial. “O ideal é encontrar o tumor quando ele ainda não é palpável ao toque, por meio de exames como a mamografia e o ultrassom”, diz Fenile.

Imprescindíveis para o diagnóstico do câncer de mama, esses exames são solicitados pelo médico ginecologista ou mastologista no consultório. “Por isso, é fundamental manter uma rotina ginecológica regrada desde o primeiro ciclo menstrual, na adolescência, e principalmente após o início da atividade sexual”, diz a oncologista coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital 9 de Julho.

Emanuella explica que, na prática, a mamografia faz o Raio-x das mamas. Ela vai ser capaz de encontrar pequenas calcificações – que podem indicar um câncer inicial – e nódulos nas mamas e axilas. Já o ultrassom entra como exame complementar, pois vai identificar nódulos com diferentes densidades e garantir um diagnóstico ainda mais preciso.

O Ministério da Saúde recomenda que as mulheres comecem a fazer a mamografia partir dos 50 anos. Mas outras entidades, como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), recomendam que elas iniciem sua rotina anual desse exame preventivo a partir dos 40 anos.

Essa idade ainda pode variar caso a paciente tenha histórico familiar ou qualquer alteração nos exames físicos ou de imagem. “A grande maioria dos casos de câncer de mama não tem característica genética”, destaca Emanuella. “Mas mulheres com parentesco de primeiro grau com mulheres diagnosticadas devem começar os exames preventivos 10 anos antes da idade que essa pessoa descobriu o tumor.”

Previna-se

Em 2018, Cristiane Vodonis percebeu um nódulo na mama durante o banho. Foi ao ginecologista e encaminhada para fazer uma mamografia. Quando os resultados saíram, eles foram enviados diretamente para o médico. “Com isso, senti que tinha algo errado”, conta.

Na visita ao oncologista, recebeu o diagnóstico de câncer de mama e, imediatamente, começou o tratamento recomendado. Cristiane é um grande exemplo da importância das mulheres prestarem atenção ao próprio corpo e não ignorar mudanças, por menores que sejam. “A prevenção é fundamental. A gente não se dá conta de que é humano, frágil, e que pode acontecer com a gente até que acontece.”

É importante ter em mente que a descoberta de um tumor não é o fim. “O câncer de mama é uma doença que tem cura. Mas essa está muito ligada à fase que é descoberta”, diz Emanuella. “E o diagnóstico também não é difícil. Temos várias ferramentas de rastreamento efetivas.” Quando diagnosticada em fase inicial, a doença ainda tem maiores chances de cura e demanda tratamentos menos agressivos.

Nesse sentido, ano a ano a campanha Outubro Rosa se dedica a abrir os olhos de mais e mais mulheres para a importância de dedicar um tempinho à rotina do autoexame e não negligenciar a agenda anual do exame preventivo. Afinal, a prevenção pode realmente salvar vidas.

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