O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei: o filme com mais Oscars de toda a história da fantasia
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei ganhou, em 2004, todas as onze categorias para as quais foi indicado no Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Trilha Sonora. É o único filme de fantasia e o único filme baseado em livro a vencer a categoria principal da Academia, e os onze prêmios em onze indicações representam o recorde máximo de aproveitamento na história da cerimônia.
Ficha técnica
Título original: The Lord of the Rings: The Return of the King. Direção: Peter Jackson. Baseado no romance de J.R.R. Tolkien. Duração: 201 minutos (versão cinematográfica) ou 263 minutos (versão estendida). Lançamento: dezembro de 2003. Bilheteria mundial: 1,14 bilhão de dólares.
Elenco principal
Elijah Wood como Frodo Baggins; Ian McKellen como Gandalf; Viggo Mortensen como Aragorn; Orlando Bloom como Legolas; John Rhys-Davies como Gimli; Andy Serkis como Gollum; Cate Blanchett como Galadriel; Hugo Weaving como Elrond; Miranda Otto como Éowyn; Bernard Hill como Théoden; Karl Urban como Éomer.
Sinopse
O Retorno do Rei acompanha três frentes narrativas simultâneas: Frodo e Sam continuando a jornada ao Monte da Perdição para destruir o Anel com a companhia manipuladora de Gollum; Aragorn, Legolas e Gimli viajando às Passagens dos Mortos em busca de um exército sobrenatural para equilibrar as forças; e a grande batalha de Minas Tirith contra as hordas de Mordor, que Gandalf e Pippin testemunham de dentro das muralhas da cidade enquanto aguardam um socorro que pode nunca chegar.
O que o filme tem de melhor
A carga emocional distribuída ao longo do terceiro capítulo é possível apenas porque as duas partes anteriores construíram o investimento nos personagens. A fala de Sam quando Frodo já não consegue mais carregar o Anel, “Eu não posso carregar o anel por você, sr. Frodo, mas posso carregar você”, funciona de forma esmagadora porque o espectador passou oito horas acompanhando essa amizade.
O Retorno do Rei e a questão dos finais múltiplos
A versão cinematográfica de O Retorno do Rei é famosa por ter múltiplos finais, com a narrativa continuando por quarenta minutos após o que a maioria do público considera o clímax natural da história. Essa estrutura gerou tanto críticas quanto defesa apaixonada: os críticos argumentavam que Jackson não sabia onde cortar, os defensores que cada cena adicional era necessária para honrar as resoluções emocionais que a trilogia havia construído.
Peter Jackson e sua co-roteirista Fran Walsh responderam à crítica argumentando que a estrutura de finais múltiplos reproduz a sensação do capítulo equivalente no livro de Tolkien, onde o regresso ao Shire e a partida no porto são sequências separadas que têm peso emocional próprio. A questão de se isso funciona melhor no livro do que no filme é legítima, mas a intenção por trás da escolha é defensável.
O Oscar de Melhor Filme e o que ele representou
Quando O Retorno do Rei ganhou onze Oscars na cerimônia de 2004, incluindo Melhor Filme, foi a primeira vez que um filme de fantasia épica ganhava essa premiação principal. Historicamente, a Academy havia ignorado o gênero nas categorias principais, tratando-o como entretenimento popular legítimo mas não como cinema de prestígio.
A vitória foi interpretada como reconhecimento tardio não apenas desse filme específico mas de toda a trilogia, que havia sido ignorada nas categorias principais nos anos anteriores apesar das indicações técnicas. Foi também o momento em que a Academy sinalizou que a distinção entre entretenimento popular e cinema de prestígio estava se tornando menos rígida.
Aventura e cosmopolitismo
Um dos efeitos culturais do gênero de aventura, especialmente nas suas variações de viagem e exploração, é a exposição a culturas, geografias e contextos históricos que o espectador não teria de outra forma. Indiana Jones não é antropologia rigorosa, mas criou interesse real em arqueologia e em culturas antigas para gerações de espectadores. Filmes de aventura ambientados em países específicos frequentemente geram aumento mensurável de buscas sobre aqueles países e, em alguns casos, aumento real de turismo.
Essa função de introdução cultural, imperfeita e simplificada, tem valor que a crítica do gênero como superficial frequentemente ignora.

