Um exemplar juvenil de lobo-marinho sul-americano (Arctocephalus australis), resgatado debilitado em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, em maio de 2024, foi recentemente reavistado saudável, em uma colônia reprodutiva da espécie, na Isla de Lobos, no Uruguai.
O animal foi atendido e reabilitado por uma equipe multidisciplinar de biólogos, médicos-veterinários e oceanógrafos no Centro de Reabilitação e Despetrolização do Instituto Argonauta, localizado em Ubatuba/SP. O Instituto Argonauta é uma organização da sociedade civil fundada, pela diretoria do Aquário de Ubatuba, e responsável pela execução de diversas ações de conservação marinha no litoral paulista.
O atendimento do animal ocorreu no âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), um programa exigido como condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras na produção e escoamento de petróleo e gás natural, sob coordenação do IBAMA.
O reavistamento, ocorreu em janeiro de 2025, na Ilha dos Lobos – Uruguai durante a campanha de monitoramento populacional da espécie, realizada pela DINARA (Dirección Nacional de Recursos Acuáticos, Uruguai). Este registro foi comunicado recentemente pela Dra Sabrina Riverón, do Departamento de Mamíferos Marinhos desta Instituição. A identificação do indivíduo foi possível graças à marca de despigmentação aplicada durante o processo de reabilitação, e a documentação fotográfica foi gentilmente cedida pela pesquisadora Analía Bombau.
Mais do que um registro simbólico, o reavistamento representa um indicador técnico claro de sucesso no processo de reabilitação, comprovando que o animal foi capaz de retomar seu deslocamento natural e reintegrar-se a uma colônia da espécie. É também uma valiosa contribuição científica para o conhecimento sobre a biologia e os padrões migratórios dessa espécie – A. australis.
O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha é uma organização da sociedade civil, fundada em 1998 a partir da iniciativa do Aquário de Ubatuba, com o objetivo de ampliar as ações de conservação marinha na região.
Atua em três frentes principais: pesquisa científica, educação ambiental e resposta a emergências envolvendo fauna marinha, como encalhes, reabilitação e manejo de grandes mamíferos marinhos, além de monitoramento ambiental e desenvolvimento de tecnologias voltadas à conservação. É uma das executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).