A organização não governamental (ONG) Por1Sorriso celebra, em maio de 2026, uma década de atuação transformando a saúde bucal em populações vulneráveis. O marco será celebrado com um retorno simbólico à sua origem: entre 23 de abril e 4 de maio, o fundador Felipe Rossi e a diretora de ações Juliana Fanaro estarão em Moçambique para uma nova missão em parceria com a ONG Missão África. Foi exatamente em solo moçambicano, em 2016, que a iniciativa nasceu após Rossi vivenciar a ausência quase total de assistência odontológica na região.
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Nesta trajetória, a Por1Sorriso já atendeu mais de 30 mil pessoas e realizou 100 mil procedimentos em 40 cidades de 10 estados brasileiros, além de missões internacionais no Quênia e em Moçambique. Com 16 ações programadas para este ano, a organização reforça o contraste da realidade brasileira. Embora o País concentre um dos maiores números de dentistas do mundo, o acesso ao tratamento ainda é um privilégio distante para milhões de cidadãos.
A PorSorriso leva para a população diversos tipos de tratamentos complexos. São tratamentos que na maioria das vezes a população não tem acesso por serem caros. O projeto conta com a atuação de profissionais especializados em diversas áreas da odontologia, como odontopediatras, endodontistas, protesistas, cirurgiões, periodontistas e especialistas em dentística. A estrutura montada nos locais de atendimento precisam ser suficientes para a realização de procedimentos como restaurações, extrações, tratamentos de canal, raspagens periodontais, profilaxia (limpeza), exames radiográficos, escaneamento digital, confecção de próteses dentárias, além de orientação de higiene bucal.
“Existe no Brasil uma contradição: milhares de dentistas brasileiros são formados todos os anos, reunindo um dos maiores números de profissionais da área no mundo e ainda assim, existe uma parcela significativa da população que nunca teve acesso a um atendimento odontológico completo ou sequer a uma consulta básica”, afirma Rossi. “Em muitas regiões, tratar um dente ainda significa uma escolha. A pessoa precisa escolher entre cuidar da saúde ou garantir o que comer. A dor acaba virando rotina, a ausência dos dentes, se torna algo comum e o sorriso, aos poucos, deixa de existir”, completa.
Para viabilizar esse tipo de atendimento, a ONG opera com uma estrutura itinerante completa. A cada ação, são mobilizados de 30 a 60 voluntários, entre dentistas de diversas especialidades, protéticos e equipe de apoio. Cerca de 3 toneladas de equipamentos são transportadas para montar, em poucos dias, uma estrutura capaz de realizar desde atendimentos básicos até procedimentos mais complexos, incluindo tratamentos de canal e confecção de próteses dentárias.
O modelo de trabalho da Por1Sorriso busca oferecer o tratamento completo. Ao contrário de atendimentos pontuais, a proposta é que o paciente saia da ação com sua demanda resolvida ou significativamente avançada, algo ainda distante da realidade de muitas regiões. Esse crescimento trouxe também a necessidade de estrutura. Em 2023, a Por1Sorriso passou a ser auditada, marcando um avanço importante na profissionalização da organização e reforçando o compromisso com transparência, governança e sustentabilidade das ações. Hoje, a ONG se mantém por meio de uma combinação de apoio de empresas e doações de pessoas físicas, que viabilizam desde a compra de insumos até a logística necessária para levar atendimento a regiões de difícil acesso.
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