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Da terra para a água: voluntariado auxilia pessoas com limitação física para prática de paddle board

Thalita Ribeiro
7 de Maio de 2018


Crédito: Thalita Ribeiro

Praticar esportes e dedicar um tempo ao próximo é o que parte da rotina de Ricardo Allmada, professor e surfista. Ele é responsável pela iniciativa Allmada e Supirados, na qual ele ensina modalidades na água, como stand up paddle, paddle board, remada e surfe para pessoas com deficiência física. Há cerca de quatro anos, as aulas acontecem uma vez por semana em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.

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O professor pratica esportes aquáticos há anos. Em uma oportunidade, um amigo cadeirante o viu praticar paddle board (remada com o braços, deitado em uma prancha) e se interessou. “O Alan quis praticar. Eu o ajudei, fiz as adaptações necessária e, a parir daí, começou a surgir interesse de outros cadeirantes”, conta Ricardo. Atualmente, cerca de oito pessoas com diferentes limitações (como paraplegia, deficiência visual e sequelas de paralisia infantil) participam das aulas.

Os treinos são feitos na represa Rio Grande, no clube Santo Deck, localizado no distrito do Riacho Grande, em São Bernardo do Campo. Ricardo afirma que vê efeitos positivos nos praticantes não apenas no corpo, mas também na mente, e fala sobre a importância de projetos como esse. “A atividade é um pretexto para incluí-los na sociedade, os tornando iguais as outras pessoas que não têm deficiência. Eles têm a oportunidade de viver algo que antes era limitado.”

Trabalhando melhor o físico e a interação com outros pessoas, o professor lembra que tinha alunos em quadro de depressão profunda e que encontraram no paddle board um novo sentido para a vida. E quando o assunto é apoio, Ricardo conta que alguns amigos ajudam nos treinos.

Ajuda ao próximo

Um desses amigos é a comerciante Caren Bellinghausen. O standu up paddle é um complemento do seu treino, às quartas-feiras, e ela concilia a prática esportiva com o auxílio à turma do professor. “É um trabalho muito importante, me sinto muito bem. Quem está ao lado deles sente o progresso. Na água, percebe-se que eles passam a se ver como alguém que não tem limitação.”

No dia de treino, Caren acompanha parte do grupo na jornada | Crédito: Thalita Ribeiro

Ela comenta que, por vezes, alguns dos alunos chegam a fazer um percurso maior que o dela e reforça a importância do apoio ao grupo. “Toda a parte técnica, de ajustá-los nas pranchas, por exemplo, quem faz é o Rica [Ricardo], e eu vou remando ao lado. Mas mesmo com essa atitude, percebo que uma palavra, um incentivo, faz toda a diferença”, afirma Caren.

A comerciante pratica stand up paddle – em que a esportista fica em pé, sobre uma prancha específica, e se movimenta com o auxílio de um remo. Durante os treinos, a turma toda é dividia em grupos e Caren escolhe um para dar suporte. “O Ricardo conhece cada um deles, seja as limitações ou a melhor postura na prancha. Eles podem aparentar certa fragilidade, mas, por vezes, têm mais resistência que quem não tem limitação física.”

Relato de vida

Luis Kassab é advogado e um dos alunos do Supirados às quarta-feiras. Atualmente afastado por problemas de saúde, ele começou no grupo há cerca de três anos e comenta como conheceu Ricardo e a iniciativa. “Fui ver o pessoal com a minha irmã. O Ricardo e a Dani [esposa do professor] me incentivaram a cair na água e, então, eu pratiquei stand up paddle sentado pela primeira vez.”

O advogado comenta que todos os alunos se ajudam durante a aula, independentemente do nível de dificuldade, e que Ricardo se preocupa com a segurança de cada um. “Nós recebemos orientação do que fazer se alguém do grupo cair no rio, por exemplo. Temos consciência da nossa limitação, mas não é um impedimento.”

Luis fala também sobre a sensação de estar na água. “Eu comecei na natação, que me mostrou a capacidade de superar a deficiência. No Supirados, na água, pude sentir que tinha o mesmo potencial que outras pessoas que não têm deficiência física.”

Para além dos benefícios ao corpo, Luis conta que, com as práticas esportivas, passou a ter contato com outras pessoas com deficiência. “Vejo o esporte como uma forma de inclusão social. Tem tanta gente em casa, pensando que não pode fazer nada. A prática esportiva estimula o contato com outras pessoas, com a natureza. É muito bom.”

Serviço

Allmada e Supirados
Site: http://allmada.com.br
Treinos: Riacho Grande, São Bernardo do Campo
Telefone: (11) 4177-2000
WhatsApp: (11) 9 6199-1786

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